22 março 2005

Ainda o post do Idealista

Em resposta ao Diogo e à Mary, eu não me contento em não comentar o óbvio. Essa flexibilização ideológica, transversal à direita actual, de que a Mary fala não é mais do que um sinal dos tempos, é que quem se interesse minimamente por ciência política nos seus aspectos mais mundanos, saberá com certeza reconhecer o óbvio: o conceito de esquerda e direita está completamente ultrapassado. Isto porquê? Porque os aspectos que classificavam direita e esquerda como tal, no essencial, eram profundas divisões ideológicas de política económica, comunismo versus capitalismo.
Ora, hoje em dia, qualquer partido, seja ele de esquerda ou de direita, que esteja na chamada 'área governativa', terá que defender a economia de mercado e a propriedade individual para o desenvolvimento da sociedade. Será talvez por isso que o eleitorado de hoje em dia é desinteressado pela política em geral, porque como se ouve dizer: 'dizem todos o mesmo'.

Assim sendo, actualmente as divisões ideológicas passaram a ser mais no plano das políticas sociais, de imigração, religiosas, éticas, ou seja mais elevadas e com menos impacto na vida quotidiana do 'povo'. Estas questões obrigam a pensar mais profundamente nos nossos actos e coerência de valores, coisa que obriga a pensar, e disso o 'povo' não gosta. Na prática isto pode ser, por análise, resumido em: quem tem ideias sensatas, e quem propõe leis de loucura total e de institucionalização de pequenas anarquias, a pouco e pouco, levando a sociedade a um estado de desorientação e de impossibilidade de governação séria e sensata, por falta de meios institucionais.

Por isso internacionalmente, a política já não se define actualmente numa linha, da direita para a esquerda, mas como uma esfera, em que se analisam não só os aspectos económicos mas todos os outros que eu aqui referi, usando-se apenas os termos esquerda e direita para classificar os extremistas, radicais, que nunca chegarão ao poder, excepto em alguma convulsão democrática, ou não.

Concluindo posso com segurança afirmar que o autor do texto em discussão está completamente enganado na sua tentativa de caracterizar simplisticamente a 'direita', que já não existe como tal, mas apenas como termo saudosista, isto cá em Portugal, e até para nos (CDS) separar de todos os outros partidos portugueses à nossa esquerda da esfera, muito agarrados à revolução e aos sindicatos e outras coisas que tais.

Duarte Silveira