26 março 2005

O debate interno.

Quando me filiei na Juventude Popular, em meados de 2001, fi-lo por um conjunto de motivos, não conhecia ninguém no partido, excepto da televisão, não tinha grandes pretensões de ocupar este ou aquele cargo de ir aqui ou ali.
Não condeno quem tenha pretensões legítimas a ocupar cargos na estrutura partidária ou da Juventude Popular, não nego que há pessoas na hierarquia que desempenham um papel fundamental no caminho que é preciso trilhar. Mas acima de tudo considero que quem ocupa cargos na estrutura acaba inevitavelmente por ter responsabilidades, e as responsabilidades não se limitam a apresentar trabalho, como as actividades tenham elas o cariz que tiverem não podem ser visto como um fim em si mesmo, são antes um meio que possibilitará o crescimento e divulgação das nossas ideias. Entendo assim uma JP em que todos têm responsabilidades iguais, os mesmos direitos e deveres, onde todos merecem obviamente ser tratados por igual, talvez seja um pouco utópico mas se não acreditasse em utopias não estaria certamente aqui, aquilo que diferencia um jovem é seguramente a sua capacidade de sonhar.

E é quando sonho com uma JP ideal, utópica, que vejo um espaço debate, em que as ideias contam mais do nome de quem as propõe, em que não há uma espécie de “Comité Central” que tudo decide, que louva aquilo que é bom louvar e que recrimina o que é politicamente menos correcto, aquilo que nos pode embaraçar. Uma juventude partidária não pode ser o megafone da mensagem do partido, não tem de ser irresponsável, mas não tem também de ser seguidista.

Não temos de defender os Percebes do Arquipélago das Berlengas e abafar que Olivença é um problema que não está resolvido. Está na hora de se perder o medo de se debater, é impossível crescer sem se criticar, e o espírito critico deve começar dentro de casa, não é possível continuar vendo a critica como algo que há que esconder, como algo que faz mal, e como algo que só os opositores fazem, só critica uma coisa alguém que goste desta coisa, se for indiferente ninguém critica.

Está na altura de deixar o politicamente correcto, o parece mal, o pensar naquilo que os outros vão pensar por os criticarmos.

Durante o tempo que desempenhei funções na Juventude Popular, quer a nível concelhio ou distrital tentei desempenhar essas mesmas funções com o máximo sentido de responsabilidade, não direi que fiz sempre tudo o que esteve ao meu alcance, tenho noção que muito terá ficado por fazer, até porque não é a JP a principal ocupação de ninguém felizmente, mas nesta altura em que se “fecha um ciclo” está na altura de se debaterem ideias sem preconceitos, gostaria de ver no próximo congresso do partido militantes que se sintam à vontade para fazer a sua escolha, seja ela Matos Chaves, ou outro qualquer. Espero que no fim consigamos fazer da Democracia-Cristã em Portugal aquilo que é já noutros países da Europa.


(...)
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó (JP), hoje és nevoeiro...
É a hora!

Valete, Fratres.
10-12-1928

Tiago Antão