14 março 2005

Perfil de um “líder”


Muito se tem discutido à volta do tema da sucessão de Paulo Portas que, depois das eleições do dia 20 de Fevereiro, se demitiu do cargo de Presidente do nosso partido. Vários nomes surgiram, nenhum aceitou, ficou o dito pelo não dito. Apenas uma pessoa avançou com a sua candidatura oficial, Miguel Matos Chaves. Confesso que o nome nada me dizia (e continua a não dizer), mas o facto é que este gestor, ex director de marketing e ex porta-voz para a área do turismo durante a época monteirista e mero militante de base (um “outsider” das lides partidárias, portanto) lá vai sendo notícia. Defende a importância da realização de uma convenção que permita o alcance de uma “plataforma programática” que una a direita portuguesa onde, naturalmente, o partido da Nova Democracia tem lugar cativo.
A confiança na vitória leva-o ainda mais longe. Assim, que for eleito realizará outra convenção destinada à preparação das eleições autárquicas, defenderá um novo modelo de organização interna do partido, com referendos internos que permitam que os militantes sejam ouvidos em assuntos tão fundamentais como a regionalização e a posição do partido em relação à Europa (mesmo depois de frontalmente ter declarado ser contra a Constituição europeia). O tema do aborto fica de fora de qualquer discussão porque, diz o potencial candidato, “ não se referendam princípios ideológicos”.

Por tudo isto e pelo que ainda esteja para vir por parte de uma pessoa com ideias tão progressistas, modernas e renovadoras, só nos resta concluir que Matos Chaves é, de facto, um candidato às direitas. O D. Sebastião almejado por nós?
Joana Mota