11 abril 2005

Afirmar Portugal - Moção apresentada pela Distrital de Lisboa

É o título da moção apresentada a semana passada pela distrital de Lisboa do CDS. Apesar de não apresentar qualquer tipo de projecto inovador para o partido, perdendo-se numa introdução demasiadamente longa e pouco necessária sobre os princípios enformadores da democracia cristã, podem retirar-se alguma ideias chave que podem, de algum modo, ajudar a perceber posições determinantes para o futuro do CDS. São elas:

- Presidenciais: eleição de um candidato do espaço não socialista, de centro-direita. Preza-se a vontade dos candidatos, sem pressões, nem timings, que se decidam pela corrida a Belém.

- Referendos: favorável ao referendo da Constituição Europeia, assim como da resposta positiva à pergunta formulada, e noutro eventual sobre o aborto defesa do Não, assim como da continuação do regime em vigor.

- Eleições Autárquicas: aposta no reforço da implantação nacional e de eventuais coligações (analisadas caso a caso) com partidos do espaço político do centro e da direita, nomeadamente o PSD, com potencial ganhador.

Em relação a outros temas, predomina, nesta moção, a defesa da classe média, um discurso destinado à conquista do eleitorado perdido nas últimas eleições (o eleitorado suburbano, através duma aposta na segurança, com a criação de uma Lei de Programação e Segurança, destinada ao reequipamento das forças policiais; os idosos, através da criação do cheque saúde; os novos modelos familiares, apoiando as famílias monoparentais não esquecendo, porém, o modelo de família tradicional e das famílias numerosas), à discussão de temas fortes como a economia (apostando num aumento da produtividade e da competitividade face à Europa de Leste, num sistema fiscal simples e previsível, na modernização da Administração Pública e numa descentralização de poderes) ou a educação (onde se proclama a possibilidade de opção entre o ensino público e privado através da criação de um cheque educação).

Para além disso os subscritores desta moção defendem ainda que o CDS deve apostar nas novas causas da sociedade civil, o ambiente, o turismo, a cultura e património e a defesa dos consumidores, por forma a que Portugal se aproxime o mais possível dos padrões europeus exigidos nestas matérias.

De salientar a necessidade urgente de rever a Constituição na secção relativa à organização económica e social, “devedora de uma vulgata marxista absolutamente data e ultrapassada, sem a qual nada se conseguirá fazer”.

No que respeita ao CDS do futuro, pouco ou nada de novo é igualmente dito, ficando no ar ideias já gastas e pouco concretizadas como uma maior implantação e uma maior influência na sociedade portuguesa dos valores defendidos por nós, um debate interno, tendente à reorganização dos serviços nacionais que se pretendem mais capazes e disponíveis para as necessidades dos militantes e das estruturas locais e distritais, uma abertura à sociedade nos seus sectores mais dinâmicos, nomeadamente o académico, o intelectual e cultural, uma aposta nas novas tecnologias, em especial a revitalização do site e na formação política, uma revisão e actualização do Programa do Partido e uma maior intervenção nas Universidades destinada a motivar os jovens para o debate político em Portugal.
Aguardamos o Congresso.
Joana Mota