20 abril 2005

Moção de Estratégia Global da Juventude Popular

Tentando estar atenta ao que se passa no mundo bloggosférico (não sendo, muita vezes, possível acompanhá-lo diariamente) tenho reparado em algumas críticas tecidas aqui pela Beatriz sobre a ignorância por parte dos membros da CPC da JP de Lisboa do conteúdo da moção apresentada pela Juventude Popular ao congresso do partido a realizar-se no próximo fim de semana. Agradeço desde já às ilustres figuras que nos relembraram a importância de ler um texto até ao fim para o podermos julgar. Fiz o trabalho de casa. Li a moção duma ponta à outra e, por isso, sinto-me com algum conhecimento de causa para a comentar (embora não sabendo muito bem por onde começar).

Fazendo um esforço para sistematizar as principais ideias do que li, a primeira conclusão a tirar resume-se a uma palavra: banal. Banal nas ideias, banal na forma. Para além da apresentação no site estar abaixo do medíocre (não se admitem tantas gralhas e erros ortográficos numa juventude partidária que se quer responsável e que se quer exemplo para os jovens que a ela queiram pertencer), não se retira um fio condutor de pensamento ao longo de toda a moção.

Frases soltas (por vezes filosóficas, por vezes utópicas, por vezes duma ingenuidade que nos faz duvidar das verdadeiras intenções por detrás delas), uma justificação miserável para a já tão criticada escolha do título (Ah e tal porque é jovem), uma elevação exacerbada ao ainda líder do partido (não estando aqui em discussão o mérito que Paulo Portas teve como presidente do CDS, porque isso de facto é incontestável) que só reforça a ideia que temos procurado contrariar ao longo do tempo, nomeadamente de que o partido não é unipessoal e que muitas pessoas trabalharam e continuam a trabalhar para o engrandecer, um discurso “inocente” sobre o papel que a jota desempenhou durante o governo de coligação (pergunto-me onde se puderam encontrar exemplos concretos da responsabilidade, da seriedade e do reconhecimento da sociedade civil numa juventude que sempre se pautou pelo silêncio, pela falta de ideias, pela falta de iniciativas quer a nível interno, quer ao nível dos jovens em geral) e sobre o papel que quer desempenhar na nova direcção que será eleita (todos concordamos que a ideia de a JP estar representada “ao mais alto nível nos órgãos do Partido” seduz aqueles que só se servem dela para alcançarem o almejado poder, sabendo de antemão que este interesse em participar na vida do partido nada tem de altruísta ou benéfico para a juventude, que se devia pretender desinteressada de qualquer cargo para exercer a sua função de formar politicamente os jovens que aqui se filiam). Sobre as eleições e referendos que se avizinham nada de novo há a acrescentar.

De salientar a pequena ressalva de, ainda no capítulo 5 referente às relações entre o CDS e a JP, incluir nesta amálgama de conceitos e opiniões pouco consistentes toda a juventude do partido enquanto organização, mesmo antes de saber se isso corresponde à realidade. Não me revejo nesta moção, não me revejo nesta JP, não me revejo nesta “irreverência com valores”.
Joana Mota