17 maio 2005

Desordenamento do território

Em Portugal, como diz e bem o Miguel, reina a desorganização e ausência de planeamento. Portanto é óbvio que concordo com o Miguel no que toca à necessidade de reorganização do ordenamento territorial português, na sua vertente administrativa como comunicacional.

Ao pormenor concordo com a prioridade da reestructuração da rede ferroviária, em particular do transporte de carga, porque é um investimento necessário que a médio/longo prazo trará um retorno com grande impacto na economia nacional, tanto reduzindo os níveis de poluição viária (já hoje fora de proporção e incomportávelmente a crescer), como reduzindo fortemente a dependência da nossa economia de fontes energéticas externas (Petróleo), grave lacuna estratégica actual. No entanto discordo totalmente do descartar do projecto TGV para as calendas gregas, porque não é com comboios do século XIX que o nosso país estará pronto a enfrentar os desafios do século XXI, em especial a resposta à necessidade imediatista da sociedade, o que implica uma rede ferroviária muito rápida e práctica capaz de rivalizar com o avião. Tenho as minhas dúvidas quanto ao TGV ser a melhor opção, dado achar que também já está um pouco desactualizado, mas à falta de melhor certamente que não deve ser descartado. Se me fosse dado a mim a esolher, eu proporia, capitalizando os valores intelectuais e industriais nacionais, investigar um modo barato e nacional de resolver a questão da necessidade de uma rede viária rápida, de passageiros e carga, capaz de substituir o enorme volume de tráfego rodoviário actual, em especial o de carga; e após a criação da solução a sua implementação, revitalizando e modernizando tecnológicamente a indústria pesada nacional e de caminho dando emprego tecnológico, muito em voga, a milhares de pessoas.

Concordando com o desenvolvimento do interior, porque Portugal deve funcionar a uma só velocidade - a alta, e porque não o melhorar dos aeroportos do interior de modo a poderem receber algum tráfego comercial, discordo no entanto totalmente da escolha do aeroporto da Ota para substituir o da Portela. Que me interessa o que os estrangeiros fazem, ainda que todos, quando nós estamos melhor como estamos? Por essa ordem de ideias também defenderia o aborto só porque no estrangeiro todos o fazem! Não! Muito bem que é uma fonte de poluição importante tanto sonora como ambiental, mas dá personalidade à cidade e é uma das mais belas maneiras de a apresentar (a aproximação ao aeroporto a baixa altitude pelo rio). Para além disso quem considera que a Ota poderia servir Lisboa está seriamente endoidecido ou então sobre a influência de interesses ou ainda psicotrópicos, porque antes que todos os outros meios de transporte estejam ao nível a que só estarão daqui a sabe Deus quantas décadas não se poderá ter uma rede urbana integrada como seria necessário para servir um aeroporto que fica mais perto de Santarém que de Lisboa. Assim sendo não se pode substituir um aeroporto que fica a 10min do centro da cidade no máximo por um que fica a 1h no mínimo, sem razão aparente. Simplesmente não faz sentido!

Quanto à integração urbana de transportes, Que Deus te oiça! É de facto uma urgência nacional e esta sim conretizável a um prazo razoávelemnte curto, bastava que um certo número de mentes brilhantes pusessem mãos à obra (seria uma estreia nacional, mas há sempre uma primeira vez).

Nota final: Quanto à questão administrativa, não obstante a necessidade de reestructuração da organização administrativa territorial portuguesa no nível superior aos munícipios, este certamente que não é o momento adequado para falar no assunto, dado existir na assembleia uma maioria absoluta do PS que vontade não lhe falta de ressuscitar mais um debate referendário, como é o caso da regionalização, e que sendo feita, como o PS sempre a quis, esquartejaria o país em retalhos. Como efeitos secundários teríamos o aumento da burocracia mais um nível e a estocada fianl no importantíssimo papel dos munípios como estructura base do território português, retirando-lhes poderes quando estes deviam em bastantes àreas (como por exemplo na educação) ser aumentados, para que Portugal possa, finalmente, ter um ordenamento territorial, que respeitando a herança histórica e cultural, se encontre na vanguarda da Europa e sirva de arquétipo para o futuro.