17 julho 2005

contradições

Engraçado, que afirmas-te em desacordo, mas pelas tuas palavras só me dás mais razão, e mostras estar mais de acordo comigo do que imaginas!

Em primeiro lugar, porque se afinal "só não lê os meus emails quem não quer e só não sabe o que eu faço com o meu telemóvel quem não está nem aí! Porque quem quiser saber, quem quiser mesmo saber, facilmente tem conhecimento de tudo o que eu faço na internet e através do telemóvel. E, no mundo em que vivemos, em que tudo depende cada vez mais das tecnologias, com acesso aos meus registos telefónicos e de internet qualquer pessoa pode reconstruir facilmente a minha vida e os meus passos, saber quem são os meus amigos, onde costumo andar, quem é o meu médico, o banco em que tenho conta, quais as minhas despesas, etc...", então se as forças de segurança se esforçarem conseguirão certamente obter as informações de que necessitam sem necessitar de nova legislação jacobina e orwelliana. E portanto isso de "nao pode pesar mais do que saber que, com mais controlo, massacres como o de LONDRES poderão ser evitados!" é um raciocínio inválido, dado que não interessa a nova legislação, essas informações já conseguem ser obtidas actualmente. Logo, quando afirmas: "Se para evitar um novo 7/7 for preciso que alguém guarde o registo das minhas chamadas telefónicas durante 12 meses, que assim seja. A segurança e a vida de todos nós pode depender desse tipo de procedimento.", estás em pura contradição contigo mesma uns parágrafos atrás! A realidade, como já demonstrei, é que de facto não está dependente deste tipo de procedimentos orwellianos a segurança nem a vida de nenhum de nós.
Quando afirmas: "direito à vida de cada um de nós, aquilo que, em última análise, tais medidas pretendem proteger.", estás a enganar-te a ti própria, ou a ler mal o texto. Estas medidas pretendem vigiar todos os teus passos, não proteger o direito à vida. (isso faz a actual lei da interrupção voluntária da gravidez, LOL - desculpa, mas não resisti :)

Em segundo lugar, porque não sabes que se tens consciência de que "na empresa em que trabalha há controlo dos emails que recebe e que envia? Claro que há! Por questões de segurança, muitas vezes tão só para protecção da propriedade intelectual" também deves saber que isso não acontece à toa, é legalmente sancionado pelas letrinhas mais pequeninas dos contractos de trabalho que os mais incautos assinam, logo sujeitam-se a isso por vontade própria, ou falta dela.

Em terceiro lugar, porque ao contrário do que afirmas : "Para além destes factos quase óbvios, a verdade é que vivemos num mundo agressivo e perigoso. O terrorismo é uma forma de guerra dissimulada, desigual, cobarde e sem rosto. Não o podemos vencer pelas formas tradicionais. O único caminho é protegermo-nos.", o mundo não é nem agressivo nem perigoso, só os terroristas, e esses são poucos, e apenas têm força pela comunicação social, logo não há guerra nenhuma senão a que existe na comunicação social(*).

O que se passa é a ineficácia dos serviços secretos, não a falta de informação. Eles podiam ter toda a informação que quisessem, achas mesmo que isso ia fazer alguma diferença? Iludes-te. Porque o que se trata aqui é de adivinhar quem de entre toda a população mundial vai cometer um atentado a seguir, e isso é impossível, por mais informações que tenham não podem sondar os pensamentos, nem mais de metade da comunicação humana, que não se faz por e-mails ou telefones. Além disso achas que os terroristas são tão burros a pontos de trocarem e-mails ou telefonemas a combinar o próximo atentado? Cai na realidade, ninguém é assim tão burro. Pelo menos não o fazem sem antes se certificarem de que as autoridades, mesmo que estejam a vigiar não conseguirão entendê-los (encriptação e dissimulação fortes, por várias técnicas em que não vou entrar agora em detalhe)
Resumindo, não é com a recolha de e-mails ou telefonemas que vão saber onde é o próximo atentado. Isso é apenas mais um passo para a sociedade big-brother, em que ninguém está incógnito, como é seu direito.

(*)Por último se queres saber mesmo como se acaba com o terrorismo lê isto: n'A curvatura da recta.