22 março 2006

A posição da direita

Depois de ler, por sugestão do Pedro Marques da Costa, a entrevista de Nogueira Pinto ao Portugal Diário, achei que deveria deixar a minha opinião quanto àquilo que parece, na perspectiva da entrevistada, uma transformação do Partido Socialista em Partido Social-Democrata reformista.
Se duas pessoas têm uma opinião sustentada com argumentos lógicos e verosímeis, então não poderemos dizer, com clareza, qual é certa e qual é errada. Mas poderemos certamente dizer qual é, no nosso entender, a mais ajustada à realidade em que vivemos.
Ora, na existência de um socialismo arcaico cujas possibilidades de aplicação segura se desmoronaram no remoto ano de 1989, o que é de admirar não é que um Partido dito Socialista empreenda medidas neo-liberais, embora esta “invasão” seja curiosa. O que provoca o meu espanto é que um partido com esse nome (ou com nomes afins, como Partido Comunista) ainda exista.
Passa-se que no panorama económico-social em que vivemos torna-se impossível sustentar os privilégios sociais conquistados num contexto completamente distinto a vários níveis. Se durante os “Trinta Gloriosos” a prosperidade económica e o “baby boom” permitiram criar e sustentar um Estado-providência cada vez mais burocrático, a verdade é que hoje somos forçados a questionar este modelo de Estado tão intervencionista. De facto, as realidades demográfica e económica requerem que se proceda a uma rápida e efectiva “desestatização” da vida quotidiana, descentralizando muitas das funções que o Estado, hoje, não consegue assegurar convenientemente.
Qual o papel da direita? Defender os seus ideais e lutar por um Portugal melhor. No fundo, cabe-lhe fazer ver à população qual é a opinião, a doutrina, que melhor se adequa à realidade actual e que permite fazer frente aos problemas de hoje com mais eficácia.