17 maio 2005

Ordenamento do território, transportes e vias de comunicação

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Caros amigos,

Desde á muito que tenho vindo a desenvolver o meu gosto e interesse, quer pelo estudo quer vendo a realidade, por estas três importantes áreas de organização e desenvolvimento da nossa sociedade: o ordenamento do território, os transportes e as vias de comunicação.
Um Projecto
Crítico atento da actual realidade Portuguesa, procuro sempre estar informado das mudanças e propostas concretas nestas três áreas, por modo a poder construir uma alternativa séria e desejada.
Não é certamente com a criação de novas divisões, ou com o lançamento da construção dum ou outro aeroporto, linha férrea ou auto-estrada, que se vai conseguir resolver esta grave desorganização e ausência de planeamento nacionais. É necessário ir ao "fundo" da questão, sem medos. Idializar um Grande Projecto que englobe estas três vertentes essênciais para que Portugal seja um país desenvolvido junto dos desenvolvidos.
Conhecer a realidade
Conhecer a realidade nacional implica ir ao terreno (in loco), ver e perceber as diferentes realidades, contrastes e desejos das populações e sociedades. E é isso mesmo que tenho procurado fazer nestes últimos anos. Aliar o conhecimento á realidade para obter respostas e assim lançar uma primeira semente.
A Minha Visão
No Ordenamento do Território, é necessário procurar um equilibrio demográfico e socio-económico entre Norte/Sul e Interior/Litoral. estas são metas urgentes para o verdadeiro desenvolvimento. Para tal há que planear e estruturar uma reforma de fundo na unificação do País que hoje se encontra retalhado em centenas de disparatadas e inúteis divisões administrativas, sociais, culturais, para fins estatísticos, entre muitas outras. Reorganizar e Homogenizar esta incrível mixelania territorial é o essêncial. Dizer sim á real descentralização é outro dos passos fundamentais. Tanto as grandes Metrópoles como Lisboa ou Porto, ou o desertificado interior nunca irão contribuir para um País equilibrado e desenvolvido.
Já nos Transportes e Vias de Comunicação a realidade é deveras crítica. Sempre interligados pela suas funções, estas duas áreas encontram-se, a meu ver, no mau caminho, por isso mal entregues. Faço aqui uma crítica generalizada aos sucessivos governantes detentores destas pastas.
Diz-se que muito se tem feito, em parte não deixa de ser verdade, como o aumento significativo das redes viárias, ferroviárias e estruturas aeroportuárias. mas por outro lado esse muito não chega por estar a ser mal "conduzido". Tem contribuido para o aumento das tais dicotomias entre interior/litoral ou norte/sul. E isso não pode continuar.
A desorganização e ausência de planeamento é tal que temos uma incompleta e ineficaz rede de transportes aéreos, terrestres e maritimos. Não se soube ainda olhar o Atlântico, e inúmeros rios e albufeiras como um poderoso e vital recurso da expansão duma forte rede de transportes marítimos e fluvias. Não se soube ainda fazer um planeamento de vias rápidas de comunicação ferroviárias e viárias. Tem de acabar um tipo de mentalidade retrógada onde, e em face de estudos demográficos se continua a investir indiscriminadamente no litoral, entregando assim o interior á desertificação.
Espaço Urbano
Temos de avançar, e á semelhança de outras tantas cidades Europeias, para uma eficaz e coordenada rede de transportes urbanos (as tão famosas "cercanias" Espanholas).
Espaço Aéreo
Temos de avançar com um projecto de reorganização do espaço e transporte aéreo, percebendo a crucial importância deste no desenvolvimento e transporte de pessoas, bens e serviços.
Ousando mesmo iniciar projectos "diagonais" nas 3 bases e aeródromos do interior passando a 3 pequenos aeroportos regionais, a de Bragança (que servirá os centros urbanos de Bragança, Vila Real e Guarda), Covilhã (que servirá os C.U. da Guarda, Castelo Branco e Portalegre) e Beja (que servirá os C.U. de Évora e Beja) como todas as restantes Cidades e Vilas a crescer e desenvolver na área de influência.
Modernizar também, os 2 já existentes Aeroportos Internacionais de Faro e Porto, dotando-os de novas infra-estruturas, aumentando a capacidade de passageiros, como consequência o espaço aéreo, e cativando novos interesses para zonas.
Incrívelmente Lisboa continua a ser a única Capital Europeia, pelo menos de que eu tenha conhecimento, que continua a ter um Aeroporto dentro da Cidade. Nem comento, é inadmissível. Avançar com o projecto do A.Internacional da Ota é essêncial. Quanto a outros novos projectos é de se pensar.
Espaço Ferroviário
Temos uma rede ferroviária na sua maioria decrépita. Pude já visitar na quase sua totalidade e a situação á terrível. Com linhas únicas que ligam cidades, capitais de distrito, como é o exemplo de Leiria ou Castelo Branco. Temos de fazer um planeamento geral da correcta distribuição e requalificação destes transportes e vias de comunicação. TGV sim, mas não é prioridade imediata, face á tão triste rede que por cá temos.
Como disse um dia, em tom de brincadeira, o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, num dos seus habituais comentários Televisivos, "...Um qualquer Sr. Mnistro que se queira deslocar de comboio em Portugal, apenas o poderá fazer entre Lisboa e Porto...". Porque tudo o resto faz lembrar comboios indianos ou autocarros mexicanos povoados de galinhas e um cherinho a sovaqueira do nosso bom povo.
A Construção da Pirâmide
Põe-se a questão: E por onde se começa a construir?
No dia em que se perceber, que o desenvolvimento de Portugal, não passa só por uma forte Indústria ou Economia, ou pela criação e acumulação de riqueza, mas sim, e antes de mais pela sua planificação e reorganização territorial, por uma vasta e completa rede de transportes e vias de comunicação, nesse dia sim, Portugal será certamente um País Desenvolvido.
Parece-me cada vez mais que se tenta construir a pirâmide pelo topo e não pela base.
Sempre ouvi dizer que o Ser humano é um ser de Hábitos. Um Ser que nega ou evita as mudanças, ainda que estas sejam a bem do desenvolvimento, não por desgostar mas por se ter medo das alterações no seu quotidiano. Mas mais uma vez insisto, a bem da Nação, mudem-se os hábitos, mantenham-se os costumes!